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TUIUTI E O MITO DO NEOLIBERALISMO

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Um filme conta uma história em duas horas; um samba enredo, em uns 70’; uma marca ou instituição vai soltando pequenos trechos do que quer relatar, em cada aparição. Neste último caso, já que se conta de maneira fragmentada e para um público desatento, o alcance eficaz da história depende do poder de difusão de que dispõe a instituição.  Um conspícuo exemplo disso último é o mito do neoliberalismo, o mais difundido do planeta. Sustentado pela banca internacional, é contado por centenas de milhares de acadêmicos e jornalistas todos os dias e a toda hora,  aparece disperso como os pedaços de um espelho espatifado, mas constantemente.  O dragão da inflação, sem ser o personagem mais importante é uma das figuras mais conhecidas. As causas da condição social em que vivem os trabalhadores e do escasso poder de compra do salário não se discutem nem a décima parte do tempo que se lhe dedica a esse monstro. Instala-se como único e principal problema da economia de todos os di...

PÓS-VERDADE

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Em seu livro Mito e Realidade, o filósofo Mircea Eliade fala do “mito que funciona”. Não do mito visto como história falsa com que os povos primitivos explicam as origens das coisas, mas como história na qual um determinado grupo acredita, sem se estranhar com os elementos fantásticos que possa apresentar a trama. Cristo foi concebido por una mulher virgem, morreu na cruz e ressuscitou; quando Buda nasceu, as árvores se curvaram para saudá-lo e ainda hoje continua nascendo. O primeiro relato é histórico para um cristão e mítico para um budista; com a segunda historia, acontece o contrario. Para Eliade, ambos seriam mitos que funcionam. O de Buda funciona mais no Oriente e o de Cristo mais no Ocidente. Os seres humanos constroem boa parte da sua visão de mundo a partir de relatos e são poucos que se preocupam por checar a veracidade das histórias. E não estamos falando aqui das questões de fé - que não precisam de comprovação material -, mas de argumentos que se apresentam ao p...

O CIGARRO E A LIBERDADE

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Em 1929, Edward Bernays combinou uma tendência, um grupo de modelos e os jornais mais importantes dos Estados Unidos, para instalar uma ideia no imaginário do público americano. A tendência indicava que as  mulheres  - incorporadas ao mundo da fábrica durante a Primeira Guerra Mundial -  exigiam cada vez mais direitos, como o de votar, que eram exclusivos dos homens. A desigualdade chegava a tal ponto que, em alguns estados, as mulheres tinham proibido fumar em público, sob pena de prisão.      Ao tempo em que dava masculinidade ao homem, o cigarro diminuía a virtude na mulher. A ideia de que fumar era coisa de prostituta vinha do século XIX. Mas durante o século XX, Hollywood acentuaria esse preconceito, ao usar o  cigarro para sublinhar a ruindade das traidoras e a periculosidade das come-homens.     Mas George Washington Hill, presidente da American Tobacco Company, tomou um belo dia a decisão de derrubar o tabu que lhe impe...

UMA ENCARNAÇÃO DE EROS

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Nos anos 20, os estúdios de Hollywood já criavam e promoviam estrelas e os publicitários já colavam marcas à sua imagem, para que algo do poder carismático dessas figuras derramasse sobre as mercadorias. Em especial, aqueles produtos com sex appeal , como perfumes ou cigarros.  Sempre houve, também, atores que fascinavam a plateia no cenário e despertavam a curiosidade do público por sua vida privada. Assim, a era do cinema trouxe a massificação desses ícones carismáticos e, como consequência, a expansão do público interessado em invadir a "vida real" do personagem que via no telão.  Ante o aluvião de cartas que recebia do público, perguntando o nome ou a procedência dos mocinhos e das vampiresas dos filmes, a Fox criou um departamento de propaganda para alimentar o povo. A tarefa principal dessa divisão era criar um passado para as figuras, acorde com o tipo de personagem que representavam nos filmes. Assim, Theodosia Goodman, por exemplo, nascida realmente em Cincinnati...